12 de junho de 2015 leandro

“O stress, na verdade, é um atropelo do pensamento”

“Sou Tenente-coronelmédico da Polícia Militar, professor adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás, presidente da Sociedade Brasileira de Ultrassonografia, presidente da Federação Internacional de Ultrassonografia da América Latina e tenho uma clínica grande, que é a Fértile, onde praticamos ultrassonografia, laparoscopia, histeroscopia e fertilização in vitro. Somado à prestação de serviços, de docência, de atividade em serviço público, me envolvo ainda com as atividades classistas. Esse conjunto de coisas faz o dia ficar meio curto.
Me levanto às 4h da manhã, habitualmente, de segunda a sábado, e no domingo às 6h. Começo o dia pelo centro cirúrgico, operando, fazendo coleta de óvulos, visitando os pacientes, dando altas e fazendo partos, quando são programados. Por volta de 7h30, 8h vou à Faculdade de Medicina, depois vou ao Hospital da Polícia Militar e em seguida volto à Fértile, por volta de 11h, onde pratico ultrassonografia, medicina fetal, procedimentos invasivos, até 14h. Almoço na própria clínica entre um exame e outro, mas meu almoço vem de casa. Às 14h inicio o consultório, no Centro Médico Cora Coralina, onde fico até 17h30. Em seguida retorno à Fértile e volto a fazer ultrassonografia, medicina fetal até 21h, 22h. E eventualmente tenho partos depois desse horário. Ontem mesmo fiz dois partos e cheguei em casa à meia-noite. Geralmente janto perto da meia-noite, em casa. No sábado, trabalho até 15h, 16h. No domingo, no começo da manhã, me dedico à orientação aos alunos do mestrado e doutorado no curso de pós-graduação da Faculdade de Medicina e também à Liga Acadêmica de Obstetrícia. Das 9h às 11h atendo na Fértile, faço coleta de óvulos, inseminações artificiais, ultrassom, e vou almoçar em casa. Como não faço atividade física regular e sou de uma família de infartados, aprendi cedo que precisava de um bom controle alimentar. Faço isso desde minha fase acadêmica. Não como nada que tenha gordura, sal em excesso, massa já cortei há anos. Pão de queijo, bolacha, pizza, pamonha, chocolate, churrasco, requeijão, manteiga, margarina, nada disso. No café da manhã como frutas, levo frutas para o trabalho, meu almoço é balanceado, não lancho à tarde e o jantar é em casa. Meu peso é o mesmo há vários anos, ideal para minha estatura, e tenho o controle metabólico correto: colesterol, triglicérides, glicemia, tudo normal. Fiz consulta com cardiologista há uns três anos, mas faço exames de rotina com a periodicidade necessária. Fiz cateterismo por razões familiares, mas não tenho nenhuma lesão na coronária, nem placa de gordura, e o exame mostrou que meu risco de infarto é baixo. Outra coisa importante que as pessoas confundem, é que o trabalho intensivo gera stress, mas stress e trabalho intensivo são independentes. É possível trabalhar intensamente, de forma direcionada àquela atividade, e isso não gera stress. O stress, na verdade, é um atropelo do pensamento. Tem gente que fica o dia todo dentro de casa vendo televisão, não faz nada e é estressadíssima. É porque atropela o pensamento o tempo todo. Agora que estou conversando com você, estou olhando só para você, o resto das minhas atividades eu esqueci. Daqui a pouco tenho que estar na Fértile para fazer visitas, tenho um jantar no Montana Grill às 20h, com um professor de São Paulo, mas isso não está ocupando meu pensamento, só vou me lembrar depois que terminamos essa conversa. Faço minhas atividades de forma sequencial, independente e focada, de forma que eu não deixo que elas atropelem meu pensamento. Minha vida, apesar de intensa, não tem stress. A qualidade de vida do ponto de vista conceitual é ter uma alimentação balanceada, regulamentar, é estar de bem com você mesmo, com seu trabalho, com sua família e eu tenho tudo isso. Quando ainda solteiro, eu me preocupava como seria ao ter uma família. É preciso alguém que te entenda e viva a sua vida de alguma forma. Me casei com uma ginecologista e ela entende a profissão. Quando os filhos vieram, a vida já era assim, então eles não conhecem outro pai, e os momentos que tenho com eles no telefone ou pessoalmente consigo ter a interatividade que eles precisam. Sou acessível 100%. Agora há pouco me ligou um dos meus filhos e conversamos o que ele precisava. Eles têm um pai que trabalha um pouco mais que a média, mas não entendo que isso gere sofrimento. Um dos meus filhos faz medicina e eu nunca defendo que tenha que colocar o pé no breque, porque a vida passa rápido, tem que acordar cedo e fazer muito. Se quer ter um produto maior, tem que trabalhar mais, levantar mais cedo e deitar mais tarde. Quando se deita mais cedo e levanta mais tarde, se produz menos e assim o resultado será menor, tanto trabalhista quanto acadêmico, pessoal e amoroso. Eu não conseguiria ser diferente, iria gerar ansiedade, fazer muito me deixa mais feliz”.

Fonte: Revista Medicina em Goiás

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