23 de junho de 2015 leandro

Mortalidade Materna: Brasil é o 4º país que menos reduz no mundo

O Brasil não conseguirá cumprir a meta de reduzir a mortalidade materna em 2015, conforme preconiza a Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo prevê que o País diminua em 75% as mortes maternas entre 1990 e este ano. A redução de casos envolve mães que morrem no período da gestação até a oitava semana após o parto.

A observação do não cumprimento da meta é de uma pesquisa que faz parte do relatório de monitoramento da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Cedaw, na sigla em inglês) da ONU. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil reduziu sua taxa de mortes maternas em 43% de 1990 a 2013, menos que Peru (64%), Bolívia e Honduras (61% cada).
Para o ginecologista e obstetra, vice-presidente da região nordeste da FEBRASGO, Olímpio Barbosa Moraes Filho, os dados fazem referência à atual realidade do sistema de saúde. “Houve um avanço na cobertura pré-natal, pois as gestantes têm tido acesso às consultas recomendáveis pela FEBRASGO, que são no mínimo seis, no período de nove meses. Porém, a qualidade do atendimento piorou, gradativamente, nos últimos 10 anos. Isso está relacionado a qualidade de resolução de problemas relacionados à saúde da gestante pelos profissionais, sejam enfermeiras ou médicos além dos institucionais”, afirma.
Dr. Olímpio justifica a sua opinião na prática diária. “A maior parte dos especialistas não está preparada para fazer o diagnóstico e rastreamento de complicações da gestação. O que acontece é que muitos profissionais de saúde não sabem dar seguimento, acompanhamento e rastreamento de um caso específico de saúde da gestante. Assim, a conduta incorreta traz complicações irreversíveis”, pontua.
Por outro lado, a mortalidade materna no Brasil não deve estar associada especificamente ao médico, mas ao sistema de saúde que é falho. Dr. Olímpio considera que os dados de não redução de morte de gestante está intrinsecamente ligado ao Estado, que não investe em qualificação, em medicamentos e estrutura para receber as gestantes.
O perfil das mulheres que morrem em decorrência da gestação, conforme o relatório de monitoramento da Cedaw são as pardas e negras. Entre 2009 e 2011, por exemplo, morreram 1.757 mães brancas e 3.034 mães negras e pardas, 73% a mais.
Pior taxa de redução – De 2000 até 2013, o país teve a quarta pior taxa de redução dessas ocorrências no mundo, ao lado de Madagascar e atrás apenas da Guatemala, África do Sul e Iraque. A meta da ONU integra os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), assinados em setembro de 2000 por 189 nações.
“O que acontece é que as mulheres procuram assistência ao parto, mas como boa parte dos leitos estão ocupados ou sem médicos, elas têm que buscar em outras unidades de saúde para o atendimento e com isso, sofrem complicações de saúde. Estamos falando da perda de ¼ de leitos de obstetrícia nos últimos anos. Com as maternidades superlotadas, ficamos nessa colocação vergonhosa, de não conseguirmos reduzir a morte das gestantes”, enfatiza Dr. Olímpio Moraes.
Febrasgo (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia)

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